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Dossiê Botox: O que é, quanto dura e o que há de novo

Quem diria que uma substância desenvolvida para tratar estrabismo iria se tornar o procedimento mais pedido no mundo da estética? Pois foi o que aconteceu com a toxina botulínica, mais conhecida por seu nome comercial, Botox, assim que ela entrou no mercado. De acordo com dados de 2014 da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, são realizadas quase 5 milhões de aplicações de Botox no mundo todo. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking, com cerca de 350 mil procedimentos. O campeão, os EUA, passa de 1,3 milhão de aplicações.

O motivo de tanto sucesso está em uma combinação de fatores: aplicação rápida e simples, resultados impressionantes e valor cada vez mais acessível. A sessão dura cerca de 30 minutos.Também é muito pouco doloroso – quem é mais sensível ou tem medo de agulha pode usar um anestésico. Os efeitos colaterais são muito raros e, em sua maioria, temporários.

O que é

A toxina botulínica é uma substância obtida a partir da bactéria Clostridium botulinum – a mesma bactéria causadora do botulismo, envenenamento alimentar que provoca paralisia muscular e parada respiratória. Em alta concentração, é um composto altamente letal; quando aplicado em pequenas doses, impede o envio da “mensagem” ao cérebro de que o músculo deve se contrair. É assim que ele atua para minimizar as rugas de expressão.

Essa substância começou a ser estudada por oftalmologistas e neurologistas na década de 80. Em 1989, foi liberada pelo FDA (Food and Drug Administration, a Anvisa americana) para tratar o estrabismo. Em 2002, foi aprovada também para fins estéticos, e começou seu reinado. De lá para cá, teve seu uso amplamente difundido e variado. Hoje, está sendo estudado no tratamento de incontinência urinária, enxaqueca, rosácea e até ejaculação precoce.

Botox foi a primeira marca registrada de toxina botulínica tipo A, fabricada pelo laboratório Allergan. Mas existem outros produtos, com nomes diferentes, como Dysport, da Galderma, Prossigne, da Cristália, e Xeomin, da Merz.

Como funciona

O Botox não é indicado para qualquer ruga, e muita gente confunde seu uso com o de preenchedores. A técnica só tem resultado em rugas dinâmicas – ou seja, aquelas que aparecem devido à movimentação dos músculos da face, também chamadas linhas de expressão. As mais frequentes são as rugas glabelares (na região da testa), os pés-de-galinha e as rugas ao redor da boca, muito comuns em fumantes. “Também usamos muito na base do nariz, para evitar que ele se curve demais quando o paciente sorri, e no queixo”, explica Felipe Coutinho.

Já as rugas estáticas, como o bigode chinês, precisam ser preenchidas com substâncias como o ácido hialurônico. “O mesmo vale para o aumento dos lábios. As pessoas acham que é Botox, mas ele não traria o mesmo resultado que um preenchedor”, explica Felipe.

Resultado e duração

Três ou quadro dias após a aplicação já dá para notar alguma diferença, mas o efeito final só vai aparecer depois de uma semana. Por isso é normal marcar um retorno no especialista entre o sétimo e o 14º dia, para checar os efeitos do bloqueio e eventuais revisões. A duração do Botox gira em torno de três a seis meses, e vai depender da quantidade da substância usada, da forma de aplicação e da resposta individual de cada paciente. “Quando a pessoa é muito ativa, treina pesado, faz muito exercício aeróbio, a aplicação dura menos. E a durabilidade tem a ver também com a mímica facial: quem utiliza muito a musculatura, acaba voltando mais rápido. Mas dificilmente volta ao que era antes da aplicação”, diz Felipe.

Isso acontece devido à sua ação preventiva: como o músculo está paralisado, essa linha de expressão leva mais tempo para se tornar uma ruga estática, que é mais difícil de tratar. Em alguns casos, a aplicação pode até ser feita de forma preventiva, em mulheres jovens que têm tendência genética à formação de rugas. “Mas esse uso ainda é polêmico, e tem que ser muito bem avaliado pelo médico e pela paciente”, ressalta Felipe Coutinho.

Efeito natural

Apesar de figurar entre os procedimentos estéticos mais procurados nos consultórios do mundo todo, o Botox ainda sofre certo preconceito por conta de exageros cometidos no início de sua comercialização. A forma de usar a substância evoluiu muito, e hoje só fica plastificado quem quer. “Tudo vai depender da quantidade de material aplicado, da técnica utilizada e do senso estético do profissional”, diz Coutinho.

Sem suadouro

Não foi só o rejuvenescimento facial que ganhou um aliado de peso com o desenvolvimento da toxina. Casos de hiperidrose – suor excessivo em determinadas partes do corpo -, que antes só eram resolvidos com cirurgia, hoje se beneficiam das aplicações. E com uma vantagem importante: na cirurgia, a incidência de hiperidrose compensatória – quando outra área do corpo passa a suar excessivamente – chega a 80%. Com o Botox, ela é praticamente nula. Claro que após seis meses o problema retorna. Mas conforme são feitas as aplicações, a intensidade da hiperidrose tende a diminuir, aumentando o espaço entre as sessões.

Ficou interessado? Marque uma consulta na Clínica Felipe Coutinho e tire todas as suas dúvidas pessoalmente. Vai ser um prazer recebê-lo.

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